Dor no joelho ao subir e descer escadas: causas e quando procurar avaliação
A dor no joelho ao subir e descer escadas vem, na maior parte das vezes, da articulação entre a patela e o fêmur, que recebe muito mais carga nesse movimento do que ao caminhar no plano, principalmente na descida. As causas mais comuns são a dor patelofemoral, o desgaste inicial da cartilagem, a lesão de menisco e a fraqueza do quadríceps. A maioria dos casos é tratada sem cirurgia, com fortalecimento e ajuste de carga. Vale procurar avaliação quando a dor passa de duas a três semanas, limita o dia a dia ou vem acompanhada de inchaço, travamento ou sensação de falseio.
O que este texto responde
A maioria das dores de joelho melhora sem cirurgia, com tratamento conservador.
A conduta depende da causa, definida por uma avaliação individual.
A cirurgia é indicada em casos específicos, e a decisão é sempre conversada.
Quando alguém senta na minha frente e diz que o joelho dói para subir escada, ou que a pontada vem mais na descida, eu já sei por onde a conversa vai começar.
A dor no joelho ao subir ou descer escadas é uma das queixas que mais chegam ao meu consultório em Porto Alegre, e quase nunca tem uma causa só.
Antes de dar nome a essa dor, preciso entender quando ela aparece, com que intensidade e há quanto tempo.
É isso que decide a conduta, não o sintoma solto. Neste texto explico o que a escada revela e o que investigo em cada caso.
Por que o joelho dói ao subir e descer escadas?
Subir e descer escada pede mais do joelho do que andar no plano. Ao subir, ele levanta o peso do corpo a cada degrau; ao descer, funciona como um freio, segurando o movimento, e é aí que a carga na frente do joelho é maior. Por isso muitas pessoas sentem mais dor descendo do que subindo.
Isso não é impressão, é medida. Em estudos de biomecânica, a força entre a patela e o fêmur ao usar escadas chega a mais de três vezes o peso do corpo, enquanto ao caminhar no plano fica abaixo de metade disso.
O mesmo joelho, no mesmo dia, recebe cargas muito diferentes conforme o que você está fazendo.
Esse gesto simples funciona como um teste. Cada causa de dor reage de um jeito à escada, e é isso que me ajuda a começar a investigação. Dor só na descida me diz uma coisa; dor que trava no meio do movimento me diz outra.
A escada também costuma ser o primeiro lugar onde o desgaste aparece. Em um estudo que acompanhou pessoas que desenvolveram artrose do joelho, a escada foi a atividade em que a dor surgiu antes de todas as outras, antes de doer para caminhar ou em repouso. Por isso levo a sério uma dor que hoje só aparece no degrau.
Também presto atenção no que a pessoa faz fora da escada. Quem passou a caminhar mais, mudou de treino ou ganhou peso recentemente costuma carregar o joelho de um jeito novo, e a escada é onde isso aparece primeiro. A dor raramente surge do nada.
Causas mais comuns da dor no joelho na escada
As mais frequentes que vejo são a dor na frente do joelho, ligada à articulação entre a patela e o fêmur, o desgaste da cartilagem, as alterações na patela, a lesão de menisco e a fraqueza da musculatura da coxa e a tendinopatia patelar.
Cada uma pede uma investigação diferente, e só o exame define qual está por trás da sua dor.
- Dor patelofemoral: na frente do joelho, na região da patela. Dói para subir e descer escadas, sobretudo na descida, para agachar e para levantar depois de muito tempo sentado com o joelho dobrado. É a causa mais comum em pessoas jovens e ativas;
- Desgaste da cartilagem: o começo da artrose, dor que piora com o uso do joelho em geral, como caminhar e fazer atividade física;
- Lesão de menisco: dor acompanhada de estalo, travamento ou inchaço depois do esforço;
- Fraqueza da coxa: quando a musculatura não sustenta o joelho, a frente da articulação recebe mais carga.
- Tendinopatia patelar: dor logo abaixo da patela, mais comum em quem salta, corre ou faz agachamento com carga.
A fraqueza da coxa merece um parágrafo à parte, porque ela não é só consequência da dor.
Estudos de acompanhamento mostram que a fraqueza do quadríceps aparece antes, como fator de risco para o desenvolvimento do desgaste do joelho. Ou seja, fortalecer não é só alívio, é proteção.
No desgaste da cartilagem, o que acontece por dentro ajuda a entender a dor: pequenos fragmentos vão se soltando, e o joelho responde com uma inflamação, porque não reconhece aquilo como parte dele.
Tem ainda um ponto que sempre levanto na consulta: o exagero. As pessoas não se dão conta de que treinar demais também machuca o joelho. Quem faz carga alta todo dia e ainda corre pode estar sobrecarregando a articulação sem perceber.
Crepitação no joelho, o barulho e a sensação de areia
Junto com a dor na escada, muita gente descreve um barulho ou uma sensação de areia dentro do joelho.
O nome técnico é crepitação. No consultório, as pessoas chamam de rangido, de joelho que range, de sensação de atrito ou de areia, e quase sempre chegam achando que é osso raspando em osso.
Começo desmontando essa ideia. A crepitação sozinha não é sinal de gravidade. Ela aparece com frequência em joelhos que não doem nada, e a pesquisa em pessoas com dor na frente do joelho mostra que quem tem crepitação não tem, em média, mais dor nem pior função do que quem não tem.
Faço questão de dizer isso porque o barulho assusta, e o susto tem um custo. Existe estudo mostrando que quem interpreta a crepitação como desgaste grave passa a evitar movimento por medo, e o resultado é uma coxa mais fraca, que é justamente o que costuma estar por trás da dor. O medo do barulho acaba alimentando a causa da dor.
Ainda assim, não ignoro. Em estudos de acompanhamento de longo prazo, quem relata crepitação no joelho tem chance maior de desenvolver artrose sintomática nos anos seguintes.
Isso não transforma o barulho em diagnóstico, transforma em um bom motivo para avaliar cedo, quando ainda dá para trabalhar carga e força com calma.
O que me faz mudar de conduta não é o barulho, é a companhia dele. Crepitação isolada eu acompanho. Crepitação com dor que persiste, com inchaço depois do esforço ou com perda de força é o que eu investigo.
Vale separar duas coisas que costumam ser confundidas. Crepitação é aquele rangido fino e contínuo que acompanha o movimento. Estalo seco e joelho que trava e não estica são outra história, com outra investigação.
Como investigo a origem da dor na escada
Eu começo ouvindo: desde quando dói, o que piora, o que alivia e como está a sua rotina de atividade, porque tanto o excesso quanto a falta pesam no joelho.
Depois examino, comparando o lado com dor com o lado sadio, e mapeio os gatilhos concretos subir, descer, agachar, dormir.
Cada resposta aponta para uma parte diferente do joelho. A imagem, quando você já tem, entra como apoio ao que o exame clínico sugeriu, e não como ponto de partida: um achado de laudo nem sempre é a causa da dor.
Conto a consulta inteira, do primeiro contato à decisão do tratamento, em outro texto.
Quando a dor na escada pode virar caso de cirurgia?
Na maioria das vezes, não vira. Boa parte das dores de joelho na escada melhora com fortalecimento muscular, ajuste de carga e acompanhamento.
A cirurgia entra quando a causa é estrutural, como um menisco que trava o joelho, e a avaliação mostra que é o caminho.
Quando esse é o caso, a minha área é a cirurgia do joelho, feita por artroscopia, com dois acessos pequenos.
Mas faço questão de separar as coisas: ter foco em cirurgia não quer dizer indicar cirurgia para todo mundo. A maior parte dos joelhos que avalio não chega lá.
O que define não é a escada em si, é a causa por trás dela. Uma dor de cartilagem no início quase sempre se trata sem cirurgia; um fragmento de menisco que trava o joelho é outra conversa.
Dá para aliviar a dor no joelho até a avaliação?
Até a avaliação, o que oriento é simples: não forçar o que dói. Reduzir por alguns dias a atividade que dispara a dor, poupar a escada quando der e não insistir no treino na mesma intensidade costumam acalmar o quadro. Isso não substitui o exame, mas evita piorar.
Insisto num ponto: mascarar a dor com remédio só para continuar treinando no mesmo ritmo esconde o problema em vez de resolver.
Às vezes é preciso dar um passo atrás para dar vários à frente depois. Fortalecer a coxa costuma proteger o joelho, mas o tipo e a hora do exercício prefiro definir depois de examinar.
Não é opinião minha isolada. O consenso internacional sobre dor na frente do joelho aponta o exercício como o tratamento com melhor sustentação, combinando fortalecimento da coxa e do quadril, e as diretrizes de artrose colocam exercício e controle de carga como primeira linha, antes de qualquer procedimento.
É por isso que insisto tanto nesse ponto, mesmo quando a pessoa chega esperando uma solução mais rápida.
Quando você deve procurar avaliação
Vale procurar avaliação quando a dor persiste, limita o seu dia a dia ou vem acompanhada de outros sinais.
Dor de uma semana que melhora sozinha é diferente de dor que se arrasta ou que trava o joelho.
- Dor que dura mais de duas a três semanas;
- Dor que limita subir escada, agachar ou caminhar;
- Inchaço que volta depois do esforço;
- Travamento ou sensação de que o joelho falha.
- Dor que começou depois de torção, queda ou pancada;
- Joelho quente, vermelho e muito inchado, com ou sem febre, que precisa de avaliação sem esperar.
Perguntas frequentes
Dor no joelho ao descer escada é pior que ao subir?
Não necessariamente. A descida exige mais da frente do joelho, então a dor tende a ser mais intensa nesse momento, mesmo em quadros simples. O que me orienta é a persistência e os sinais associados, não apenas subir ou descer.
Dor no joelho na escada é sempre artrose?
Não. O desgaste da cartilagem é uma das causas, mas alterações na patela, lesões de menisco e fraqueza muscular também entram na investigação. Só o exame define a origem em cada caso.
Fortalecer a coxa ajuda na dor ao subir escadas?
Em muitos casos, sim. Uma coxa mais forte tende a proteger o joelho e a distribuir a carga de forma mais equilibrada. O tipo de exercício e a intensidade eu oriento conforme a avaliação de cada pessoa.
Meu joelho range ao subir escada, isso é grave?
Na maior parte das vezes, não. O rangido, que chamamos de crepitação, aparece em muitos joelhos que não doem. O que pede avaliação é a crepitação acompanhada de dor que persiste, inchaço depois do esforço ou perda de força.
Crepitação no joelho é sinal de artrose?
Não por si só. A crepitação sozinha não fecha diagnóstico de artrose, mas estudos de longo prazo mostram que quem relata esse sintoma tem chance maior de desenvolver artrose sintomática ao longo dos anos. Por isso vale avaliar cedo, e não se assustar.
Dor na frente do joelho ao subir escada é condromalácia?
Pode ser, mas nem toda dor na frente do joelho é condromalácia. A dor patelofemoral é o quadro mais comum e nem sempre existe alteração da cartilagem por trás dela. O exame físico é o que separa uma coisa da outra.
Preciso de ressonância para dor no joelho ao subir escadas?
Nem sempre. A investigação começa pela história e pelo exame físico, e a imagem entra quando muda a conduta. Um achado no laudo não é automaticamente a causa da sua dor, e explico esse ponto em detalhe no texto sobre estalo e travamento no joelho.
Posso continuar treinando com dor no joelho na escada?
Depende da causa e da intensidade da dor. Como orientação geral até a avaliação, reduzo o que dispara a dor e mantenho o que não dói. O que não recomendo é usar remédio para treinar no mesmo ritmo, porque isso esconde o problema.
Dor no joelho ao subir e descer escadas melhora sem cirurgia?
Na maior parte dos casos o caminho é conservador, com fortalecimento, ajuste de carga e acompanhamento. A cirurgia entra quando a causa é estrutural e a avaliação mostra que é o que resolve aquele caso.
Avaliação de dor no joelho com o Dr. Heberton Timm
Sou o Dr. Heberton Timm, ortopedista com foco em cirurgia do joelho, em Porto Alegre, no bairro Petrópolis. CRM-RS 23026 | RQE nº 14206 em Ortopedia e Traumatologia.
Acompanho cada caso da primeira consulta ao pós-operatório, e começo sempre por entender a sua dor antes de propor qualquer conduta. Se a sua dor no joelho na escada persiste, agende uma consulta.
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